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Metodologias Cooperativas

Open Space

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"Esteja preparado para se surpreender" Harrison Owen

A Tecnologia de Espaço Aberto (Open Space Technology) é uma metodologia criada pelo americano Harrison Owen que tem como objetivo propor a criação de espaços abertos onde os participantes criem e gerenciem a sua própria agenda, com sessões de trabalho simultâneas, em torno de um tema central de importância relevante, como por exemplo: “o que podemos fazer para acabar com a fome no mundo”? Ou ainda: “que organização queremos construir nos próximos 10 anos”?

A TEA permite realizar reuniões criativas com qualquer tipo de pessoa, em qualquer tipo de Organização, com grupos de 5 a 1000 pessoas, ­ trabalhando em seminários de um dia, em conferências de 3 dias, ou em reuniões semanais regulares.

Tendo como princípios básicos liberdade, paixão e responsabilidade, a TEA é orientada por uma única lei, por 4 princípios práticos e quatro papéis. Veja ao lado.

A partir destas orientações, os participantes são convidados a escolherem assuntos relacionados ao tema central. Entretanto, o (a) participante que estiver disposto, será convidado (a) a escolher um assunto pelo qual tenha uma paixão e um interesse genuíno e que gostaria de responsabilizar por ele. Por exemplo: se o tema central é “como acabar com a fome no mundo”, um assunto que poderá surgir será “como acabar com o desperdício de alimentos”? Um outro poderia ser “como incentivar a agricultura familiar”? E assim por diante.

A partir daí, cada pessoa que sugerir um assunto estará, automaticamente, convocando um grupo de diálogo sobre ele, assumindo o papel de Anfitrião, tendo como única responsabilidade zelar pela manutenção do diálogo e pelo registro das produções que surgirem. Importante: a pessoa que sugerir um assunto, não tem a obrigação de ser especialista no mesmo. Ela, apenas, sugeriu porque se interessa verdadeiramente por este assunto e gostaria de dialogar sobre ele.

Assim que escolher o assunto, a pessoa deverá escrevê-lo em um pedaço de papel e colá-lo em uma matriz espaço-tempo pré-fixada em uma parede ou quadro. Ou seja, a pessoa não só escolhe o assunto, como também sugere a hora e o local onde gostaria de dialogar sobre ele.

Depois que a matriz espaço-tempo é criada, iniciam-se as sessões de diálogo nos locais e horários fixados na parede e as pessoas podem escolher ser participantes de qualquer tema/grupo de diálogo.

E, é claro, todos são guiados pelos princípios aqui já descritos, ou seja, são livres para ficar ou não em qualquer tema/grupo, transitar por vários grupos ou mesmo não ficar em nenhum deles. Para isso, existem as figuras de mais dois papéis presentes além do Anfitrião e do participante, que são a abelha e a borboleta. Bem, a essa altura você pode estar pensando “ai meu Deus... isso vai ser uma bagunça! É muita liberdade para as pessoas! E se tiver muita gente fora dos temas/grupos”?

E é exatamente por isso que a TEA é um caminho caórdico, ou seja, que se organiza organicamente em meio a um aparente “caos”.  E a única certeza que podemos ter é que só estarão dialogando sobre os temas sugeridos as pessoas que realmente se interessam por aquele tema e, por isso, ele será cuidado pela melhor pessoa que poderia ser... e assim terá uma chance maior de ser colocado em prática.

Após o término das sessões, os participantes são convidados a formarem um círculo para a realização da “colheita”, ou seja, para a apresentação dos registros das produções dos grupos sobre os temas sugeridos.

E quais podem ser os resultados? Quando falamos em liberdade, temos que estar cientes de que eles podem ser dos mais variáveis. Os grupos podem sair das sessões com verdadeiros planos de ação ou podem sair apenas com registros de diálogos muito ricos sem um plano traçado. Por isso lembre-se “o que quer que aconteça, era exatamente o que deveria ter acontecido”. Entretanto, os objetivos e o tempo de encontro devem ser considerados. De acordo com as experiências de Owen, um encontro de meio período é ótimo para iniciarmos um diálogo sobre um tema e termos as primeiras idéias do que pode ser feito para colocar este tema em prática. Em encontros de um dia inteiro, já temos espaço para diálogos mais aprofundados e detalhados, com possibilidades de detalhamento de ações. Em encontros de dois ou três dias, pode-se pensar em planos de ação bem detalhados e em convergência e integração de todos os planos.

Alguns toques importantes sobre a TEA:

Boas condições para a TEA:
  • Um problema real;
  • Diversidade e complexidade (de pessoas e opiniões);
  • Desprendimento do resultado;
  • Senso de urgência (é pra ontem!);
  • Conflito efetivo ou potencial.
Onde a TEA pode ser aplicada:

Em qualquer lugar onde as pessoas e, principalmente, os demandantes (organizadores, líderes, gerentes, etc) tenham uma questão que sabem não ter as respostas e que estas não serão encontradas por uma só pessoa. Se você for convidado (a) para realizar um encontro de TEA em um lugar onde as pessoas acham que já sabem as respostas, então a TEA pode ser uma verdadeira “roubada”. Até porque, não faz sentido as pessoas trabalharem juntas, criativamente, para encontrar respostas que serão em vão... a chance de frustração e de não adesão é bem grande.

TEA combinada com outras metodologias:

É perfeitamente possível utilizar a TEA como um processo que se encaixa dentro de outras tantas metodologias. Entretanto, a recomendação de Owen é para que ela seja utilizada depois de momentos com palestras, vídeos, discursos, etc. Isso porque, depois de experimentarem a sensação de liberdade para escolher o que querem trabalhar, quando querem e onde querem, as pessoas podem ficar mais resistentes a outros tipos de apresentações que podem não interessar para elas.

Fontes de pesquisa:
Livro: Coffee Break Produtivo – Harrison Owen, 2003, Editora Novo Paradigma.

Sites: http://www.openspaceworld.org/ (inglês)
         http://www.openspaceworld.org/cgi/iberia.cgi?EspaçoAberto (português)
A única lei

A lei dos dois pés: Se você está em algum lugar ou faz parte de algum grupo em que sinta que não está contribuindo ou que você não esteja aprendendo, pegue os seus dois pés e vá para outro lugar.

Os quatro princípios
  • Quem quer que venha, é a pessoa certa;
  • O quer que aconteça, era exatamente o que deveria ter acontecido;
  • Quando começar é a hora certa;
  • Quando acabar, acabou.
Os papéis
  • Anfitrião;
  • Participante;
  • Abelha;
  • Borboleta.